I — JARDIM EM FENECER
Se as rosas do afeto, só acúleos têm a ofertar,
E a alga marinha, prefere teu mirar,
Nada há a declarar, resta apenas aceitar,
Que nosso jardim, apenas fenecerá.
Se os suspiros outrora doces, agora amargos ecoar,
E os sonhos partilhados, ao vento se dissipar,
Nada há a lamentar, apenas conformar,
Que nosso amor, irá repousar.
Se o vergel de nossos anseios, ora em ervas daninhas se encontrar,
E a fragrância das flores, em névoas de tristeza se transformar,
Nada há a cultivar, somente deixar murchar,
Que nosso Éden, em ruínas se há de tornar.
II — TERTÚLIA DE PESTES
Denotas inerentes
Saem de minha pele
Célere se expele
Gangrena me deteriora
A dor só piora
Oh aperto, acho que morro
Não acaba e grito SOCORRO!!!
Abluir minhas feridas com lama
Não purifica só inflama
Oh discórdia
Só peço misericórdia
Termine prélio
Queime Hélio
Sonhos acabam
Os fracos se gabam
III — O PÂNTANO
Nas rochas musgosas
Escorrego em seu líquen mucoso
Despencando nas frias
Lembranças do pensamento sinuoso
Embebido pelo pântano
Em um brejo de problemas
Sou o sujeito despontando
Em busca de uma nova sentença
Tento fugir e sou impedido
O lodaçal me prende
Pelas memórias sou cedido
E pela solidão repreendido
Perdi a chave na lama
Acredito que nunca mais a terei
Mesmo se me esforçar fora da infâmia
Sei que até achar, já apodrecerei
Venho a desistir
Não desejo mudar
Do pântano não vou fugir
Esse banhado é meu novo lar
Como é apavorante pensar
Em como vim parar neste lugar
Devo parar de me preocupar
Para nas lembranças não me afogar
DESÇA. LEIA. NÃO ESPERE SALVAÇÃO.